A Muita Pimenta nasceu em 2017, num andar alugado da Rua Augusta, em São Paulo, da discussão que três ex-editores de grandes veículos impressos brasileiros vinham adiando havia meses: a imprensa de marca tinha ficado covarde.
Éramos Renata Vargas, que tinha coordenado a editoria de economia num diário de circulação nacional; Bruno Saldanha, ex-editor de cultura de uma revista mensal que fechou as portas em 2016; e Camila Ito, que passou sete anos como repórter especial numa revista de negócios. Todos tinham saído (ou sido empurrados para fora) de redações que confundiram moderação com anestesia. E todos sentiam que o problema não era o digital — era a timidez editorial.
A primeira edição saiu em outubro de 2017: uma reportagem de 4.800 palavras sobre como as grandes marcas brasileiras estavam terceirizando o pensamento estratégico para consultorias estrangeiras. Recebemos quatro cancelamentos de assinatura institucional antes do almoço e dois elogios de leitores que ainda hoje renovam a cada doze meses. Foi um sinal claro de que o problema existia — e de que valia a pena incomodar.
Desde então publicamos mais de 1.200 artigos, com taxa média de leitura completa de 71% — o triplo da média do setor, segundo benchmarks públicos do Similarweb. Mantemos uma newsletter semanal há mais de 320 edições consecutivas, sem interrupção desde o lançamento, com taxa de abertura consistente acima de 52%. Hoje somos um time fixo de 11 jornalistas, editores e estrategistas de conteúdo, com uma rede de 140 colunistas convidados entre redatores-chefes, diretores de arte e estrategistas de marcas premiadas.
Mas o que mais nos orgulha não é o tamanho. É o fato de termos conseguido fazer jornalismo opinativo de marca por sete anos sem pedir licença a ninguém — e sem virar panfleto.