Como prometido no twitter, e já era uma vontade minha a algum tempo, venho apresentar-lhes um tutorial para fazer hidromel. (:
Não me recordo da primeira vez que ouvi falar sobre hidromel. Creio que foi na Internet, em uma dessas andanças ociosas. Cheguei a conhecer o hidromel como bebida dos vikings, e posteriormente, na adaptação da lenda de Beowulf para o cinema (aquele que a Angelina Jolie aparece peladona, pintada a ouro, háá).
Bem, pesquisei para trazer algumas informações para o post, mas acabei me confundindo ainda mais. O hidromel pode ser chamado de mead; esta é uma nomenclatura mais antiga (do inglês antigo medu, do proto-germânico meduz e o eslavo med / miod – todos significam mel). É uma bebida MUITO antiga, anterior ao vinho e, seguramente, a cerveja. Sabe-se de muitas fontes da história antiga de toda a Europa, África e Ásia; a evidência mais antiga que comprove a existência do hidromel é datada de 7000 a.C, encontrada na China, por isso, ele pode ser considerado como o ancestral de todas as bebidas fermentadas. Por ser fácil de fazer e, a sua matéria-prima não depender de sazonalidades como a uva, por exemplo, é bem difundido pelo mundo. O hidromel esteve presente na Grécia Antiga, é citado nos livros de hinduísmo e em alguns poemas épicos. A bebida produzida com mais excelência era oriunda de tribos germânicas no norte da Europa; era muito popular na Europa Central e nos países bálticos [acho que é por isso que é tão associada com os vikings].
Curiosidade para a galëre: Existia a tradição de que os casais recém casados deveriam consumir esta bebida durante o primeiro ciclo lunar após as bodas para nascer um filho varão (?). Daí surgiu a tradição atual da lua de mel.
Bem, o hidromel em si é somente uma bebida fermentada de mel e água em proporção 1:3. O mel fermenta com leveduras, transformando seus açúcares em álcool. Como o mel é diferente nas estações do ano, são feitos de flores diferentes, o resultado final da bebida pode variar muito. Pelo que achei aqui, as primeiras bebidas eram fermentadas com as bactérias naturais do próprio mel ou das frutas/especiarias que o temperam. Atualmente, utiliza-se leveduras ou fermentos químicos, porém, alguns laboratórios comerciais, como White Labs, WYeast, Vierka, desenvolveram leveduras especiais para a produção de hidromel, para mantê-lo mais saboroso. Sua graduação alcoólica é aproximada ao do vinho, ou seja, 20%. Em função das tradições locais e receitas, pode ser fabricado com inúmeras especiarias, frutas, ou mistura de grãos, por exemplo lúpulo, malte, groselha, maçãs, laranjas, limões, uvas (tanto sucos quanto frutas), gengibre, flores, cravo, canela, até pimenta… Vai de gosto e do que você tem em mãos.
Curiosidade – hidromel falso tem nome: mulsum. Ele não é fermentado, consiste em mel misturado com um vinho de álcool elevado.
VAMOS A RECEITA \O/
3,5L de água mineral – comprei um galão, pois precisava de algum recipiente para a fermentação.
Duas mangueiras de PVC – estas vão servir para fazer o P.O.G. do fermentador. Nota: comprei em uma casa de materiais de construção por R$0,60 o metro – e, de quebra, fiz um alargador para mim. (:
600gr de mel puro – aqui em SP é MUITO difícil conseguir mel realmente puro. Vou cruzar os dedos para que tudo dê certo, já que a qualidade do mel influencia muito.
15gr de levedura – nas receitas que consegui, indicaram fermentos biológicos de pão. Este eu comprei direto da padaria.
Cravo – amo cravo, então usei bastante.
Canela – achei melhor usar em pau, para não ficar o pozinho boiando na bebida.
Gengibre – sim, eu amo gengibre. (:
Laranja – infelizmente haviam poucas em casa; creio que somente três não foram o bastante. Retirei a casca e a parte branca, mas pelo que pesquisei, não havia a necessidade.
Açúcar – serve aquele refinado branquinho normal, este açúcar é cheio de frescuras: ele é sem aditivos químicos e blablá, coisa da minha mãe. Usei este pois era o único que tinha em casa.
Para temperar o hidromel, coloquei todas as especiarias no fogão com o açúcar para fazer um ‘melaço’… Algo parecido com quentão, só que sem adicionar a água/cachaça por último. O resultado não ficou como eu esperava justamente por causa do açúcar frescurento que usei. O melaço feito com açúcar tradicional dá um resultado mais efetivo, mas esse também serviu.
Coloque o mel em banho-maria até ele deixar de ter aquela consistência tradicional e ficar um pouco mais líquido. Nota: não FERVER o mel, apenas aquece-lo.
Separe um pouco de mel e misture o fermento nele.
Despeje o mel, ainda quente, no garrafão com água na temperatura ambiente. Nota1: o mel que comprei veio com um favo. Não me importei e aqueci tudo junto, o favo derreteu e coloquei tudo dentro. Aparentemente, nas bordas do garrafão, o favo vai se ‘re-cristalizar’, então, acho que não tem problema. Nota2: quando o mel for despejado na água, a tendência é formar uma espuma. Caso acontecer, agite-o até ela sumir.
Coloque o fermento no garrafão quando estiver em temperatura ambiente.
Coloque o melaço. Coloquei com pedaço e tudo. Nota: não é obrigatório temperar o hidromel, e nem temperá-lo com esses ingredientes… Como eu disse no início do post, vai do gosto da pessoa.
Agora vem a gambiarra: as duas mangueiras vão ficar na tampa. Uma mangueira será responsável por não deixar que os gases da fermentação deixem o hidromel sob pressão; a outra mangueira irá servir para retirar amostras para saber se sua bebida está pronta.
Faça dois furos na tampa. Não se esqueça de VEDAR SUPER BEM. Isso é importante para que fermente. Nota: no dia anterior, acabei usando essa mangueira para fumar o narguile de um colega meu. Foi legal, pois a mangueira dele já haviam resíduos e gosto de fumaça e essa é transparente e o fumo ficou mais gostoso… O problema é que a MINHA mangueira ficou com cheiro de essência, espere que isso não interfira no hidromel. (:
O esquema do galão funciona assim. Essa garrafa menor tem uma solução de água com sal… Não me pergunte o porque, nunca fui muito fã de química, mas foi este o esquema que achei. Nota: apenas feche o galão quando o seu conteúdo estiver em temperatura ambiente.
Esse esquema fica mais fácil de entender o como é que as mangueiras têm que ficar.
Quando ele estiver pronto – creio que em dois meses ou mais – pode ser guardado em uma garrafa de vidro com rolha na geladeira ou adega. Deixar em um lugar que não entre em contato direto com a luz solar e que ninguém fique mexendo [eu deixei do lado da geladeira, já que lá não existe nenhum risco de acidente e faz sombra]. Saberemos quando ele estiver pronto quando sua cor ficar mais clara e o fermento descer no fundo do garrafão juntamente com as especiarias. Nota: quando for coar o hidromel, é aconselhável utilizar filtro de papel para café, já que o fermento é muito fino.
Lembrem-me daqui uns meses postar de novo e contar sobre o resultado da experiência.
A receita foi tirada daqui.
Bem, creio que seja isso galera.
Bebam com moderação.
Caso qualquer dúvida, só perguntar. (:
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sou paulistana e aspirante a artista. vestibulanda, vaidosa, romântica-idealista, criativa, boca suja, egocêntrica. prezo pela pluralidade e bom senso. tenho problemas para organizar-me, acostumem-se.